Acidentes podem acontecer em qualquer ambiente profissional, e quando isso ocorre é essencial que o trabalhador conheça seus direitos. Um dos documentos mais importantes nesse momento é a CAT no trabalho (Comunicação de Acidente de Trabalho).
A CAT é o registro oficial que comunica ao governo, ao INSS e aos órgãos de fiscalização que um acidente ou doença ocupacional ocorreu durante o exercício da atividade profissional.
Segundo a advogada trabalhista Ariane Walter, que atua no Rio de Janeiro, a falta da CAT é uma das principais causas de perda de direitos previdenciários e trabalhistas no Brasil.
Neste guia completo você vai entender:
- O que é CAT no trabalho
- Qual o prazo para emitir a CAT
- Quem pode emitir o documento
- Quais direitos o trabalhador garante com a CAT
- O que fazer se a empresa se recusar a abrir a CAT

O Que é CAT no Trabalho?
A CAT é o documento oficial utilizado para informar ao Governo Federal e ao INSS que ocorreu um acidente de trabalho ou doença ocupacional.
Esse registro ativa automaticamente a análise previdenciária e garante que o trabalhador tenha acesso às proteções legais previstas na legislação.
Atualmente, a CAT é registrada digitalmente por meio do sistema eSocial, sendo enviada diretamente aos órgãos governamentais. A função da CAT é dupla:
Função Estatística
O governo utiliza os dados para mapear acidentes e doenças ocupacionais no país.
Função Protetiva
Garante que o trabalhador tenha acesso a benefícios previdenciários e direitos trabalhistas.
Sem a CAT, muitas vezes o INSS classifica o afastamento como doença comum, o que pode gerar perda de diversos direitos.
Problema em outras áreas trabalhistas?

Qual é o Prazo Para Emitir a CAT?
A legislação brasileira determina que a empresa deve emitir a CAT em até 1 dia útil após o acidente de trabalho. Esse prazo é considerado obrigatório e legal.
Situação especial: acidente com morte
Se o acidente resultar em falecimento do trabalhador, a CAT deve ser emitida imediatamente.
Caso a empresa descumpra esse prazo, poderá sofrer multas administrativas, conforme o Art. 336 do Decreto nº 3.048/99.
No entanto, mesmo que a empresa não cumpra a obrigação, o trabalhador não perde o direito ao registro da CAT.
Quem Deve Emitir a CAT?
A responsabilidade principal pela emissão da CAT no trabalho é do empregador.
Porém, a lei permite que outras pessoas emitam o documento caso a empresa se recuse.
A CAT pode ser aberta por:
- O próprio trabalhador
- Dependentes do trabalhador
- Sindicato da categoria
- Médico responsável pelo atendimento
- Autoridade pública
- Advogado do trabalhador
De acordo com os nossos advogados, contar com orientação jurídica nesse momento é importante, pois o preenchimento incorreto da CAT pode dificultar o reconhecimento do acidente pelo INSS.

Qual a Importância da CAT Para o Trabalhador?
A emissão da CAT no trabalho é fundamental porque ela determina como o INSS classificará o afastamento do trabalhador. Essa classificação muda completamente os direitos do empregado, Existem dois tipos de benefício possíveis:
Auxílio-Doença Acidentário (B91)
Esse benefício ocorre quando o afastamento está relacionado ao trabalho e há emissão da CAT.
Direitos garantidos:
- Estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno
- Depósitos de FGTS durante o afastamento
- Reconhecimento do acidente como ocupacional
- Possibilidade de indenizações trabalhistas
Auxílio-Doença Comum (B31)
Quando o INSS entende que a doença não tem relação com o trabalho, o benefício concedido é o B31. Nesse caso, o trabalhador não tem alguns direitos importantes.
Perdas comuns:
- Sem estabilidade no emprego
- Sem depósito de FGTS durante o afastamento
- Menor proteção jurídica
Como Abrir a CAT no INSS
A CAT pode ser registrada de forma digital através do sistema da Previdência Social.
Passo a passo simplificado:
1 Acesse o site da Previdência Social
2 Entre na área de Comunicação de Acidente de Trabalho
3 Preencha os dados do trabalhador e da empresa
4 Informe detalhes do acidente ou doença ocupacional
5 Finalize o envio do documento
Após o registro, o sistema gera um número de protocolo.
Os 3 Principais Prejuízos de Não Emitir a CAT
A ausência da CAT no trabalho pode gerar prejuízos significativos para o trabalhador.
1. Perda da Estabilidade no Emprego
Quando o afastamento é classificado como acidentário (B91), o trabalhador tem 12 meses de estabilidade após retornar ao trabalho. Sem a CAT, a empresa pode tentar realizar a demissão após o retorno.
2. Interrupção do FGTS
Durante o afastamento por acidente de trabalho, a empresa deve continuar depositando o FGTS. Se o benefício for classificado como comum (B31), os depósitos deixam de ser feitos.
3. Redução na Proteção Previdenciária
O benefício acidentário pode oferecer proteção maior no cálculo previdenciário e em direitos futuros, inclusive em relação à aposentadoria.
O Que Fazer Se a Empresa Não Abrir a CAT?
Infelizmente, algumas empresas deixam de emitir a CAT no trabalho para evitar custos trabalhistas e previdenciários.
Quando isso acontece, o trabalhador pode tomar algumas medidas:
- Solicitar a emissão da CAT diretamente ao sindicato
- Pedir ao médico que registre o acidente
- Emitir a CAT por conta própria
- Buscar orientação de um advogado trabalhista
Em muitos casos, também é possível entrar com ação judicial trabalhista para garantir direitos como:
- Conversão do benefício para auxílio acidentário
- Pagamento retroativo de FGTS
- Estabilidade no emprego
- Indenização por danos morais
Acidente de Trajeto Também Gera CAT?
Sim. O acidente de trajeto ocorre quando o trabalhador sofre um acidente no caminho entre casa e trabalho ou entre trabalho e casa.
Mesmo ocorrendo fora da empresa, esse tipo de acidente pode gerar CAT e direitos previdenciários, desde que seja comprovado o vínculo com o deslocamento para o trabalho.
Exemplos:
- acidente de carro indo trabalhar
- queda ao descer do ônibus
- atropelamento voltando para casa
Tipos de CAT (Muito importante para SEO)
Quase todos os artigos bem posicionados explicam os 4 tipos de CAT. Sugiro incluir uma seção:
Tipos de CAT no Trabalho
Existem quatro tipos de Comunicação de Acidente de Trabalho reconhecidos pela legislação:
CAT Inicial
É registrada quando ocorre o acidente ou quando a doença ocupacional é identificada.
CAT de Reabertura
Utilizada quando o trabalhador precisa se afastar novamente devido ao mesmo acidente ou doença ocupacional.
CAT de Comunicação de Óbito
Emitida quando o acidente de trabalho resulta no falecimento do trabalhador.
CAT de Doença Ocupacional
Utilizada quando o problema de saúde é causado ou agravado pelo trabalho, como nos casos de LER, DORT ou problemas na coluna.

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Conclusão
A CAT no trabalho é um documento essencial para proteger os direitos do trabalhador após um acidente ou doença ocupacional. Sem esse registro, o trabalhador pode perder direitos importantes, como estabilidade no emprego, depósitos de FGTS e proteção previdenciária adequada.
Por isso, é fundamental conhecer a legislação e agir rapidamente caso a empresa se recuse a emitir a CAT. Buscar orientação jurídica especializada pode ser decisivo para garantir que todos os direitos previstos na lei sejam respeitados.
Quem paga o salário após um acidente de trabalho?
Nos primeiros 15 dias de afastamento, o salário do trabalhador continua sendo pago normalmente pela empresa.
Se o afastamento ultrapassar esse período, o trabalhador passa a receber o benefício do INSS, chamado de auxílio-doença acidentário (B91), desde que o acidente esteja relacionado ao trabalho e exista o reconhecimento do nexo causal.
A empresa pode se recusar a reconhecer que o acidente foi no trabalho?
Sim, algumas empresas tentam negar que o acidente ocorreu no ambiente de trabalho ou durante a atividade profissional.
No entanto, essa negativa não impede o trabalhador de comprovar o ocorrido. Documentos médicos, testemunhas, laudos e registros do atendimento podem demonstrar o vínculo entre o acidente e o trabalho.
Caso exista recusa indevida, é possível buscar o reconhecimento por meio de ação judicial trabalhista.
Quem trabalha sem carteira assinada pode emitir CAT?
Mesmo trabalhadores sem registro formal podem tentar comprovar que sofreram acidente durante a prestação de serviços.
Nesses casos, será necessário demonstrar o vínculo de trabalho e o acidente ocorrido. Se o vínculo for reconhecido judicialmente, o trabalhador poderá ter direito aos benefícios previdenciários e indenizações.
Por isso, guardar documentos, conversas e provas da atividade exercida é muito importante.
A CAT pode ser aberta dias depois do acidente?
Sim. Embora a empresa tenha obrigação de comunicar o acidente até o primeiro dia útil após a ocorrência, a CAT ainda pode ser registrada posteriormente.
Isso acontece principalmente quando:
o acidente foi ignorado pela empresa
os sintomas surgiram dias depois
o trabalhador só percebeu a gravidade da lesão posteriormente
Mesmo nesses casos, ainda é possível regularizar a situação e buscar os direitos previdenciários.





